O Homem em Busca de um Sentido – Livro por Viktor Frankl

It’s not what happens to you, but how you react to it that matters.”

A ideia de que a maneira como nos sentimos não depende daquilo que nos acontece, mas da maneira como a interpretamos começa a estar bastante espalhada pelo senso comum.

No entanto, restituir ou imaginar uma interpretação sábia de um acontecimento não é sempre tarefa fácil.

Individualmente, rapidamente ficamos presos nos nossos esquemas mentais. O que acaba por causar uma clara dificuldade em se distanciar do problema ou adquirir um outro ponto de vista.

Socialmente os amigos são bons para isso, trazem novas informações ,novos sentidos ao nosso acontecimento, e tudo fica mais fácil com uma boa gargalhada.

Mas nem todos os amigos têm uma boa capacidade de o fazer, ou simplesmente apenas conceptualizar aquilo que se está a passar.

Com fim de tirar tudo isso do humilde senso comum e tornar a busca de sentido em algo mais palpável e concreto, vamos descobrir o que existe no ramo da Psicologia a esse propósito.

Introdução

Passemos ao livro, este é dividido em duas partes, a experiência no campo de concentração e a explicação da logoterapia de maneira simplificada.

Evitarei ao máximo descrever as situações do campo, recomendo-vos a leitura para isso.

Irei sobretudo sublinhar as partes de domínio psicológico, feitas igualmente pelo próprio autor.

I) Experiência num campo de concentração

3 fases das suas reacções mentais no campo

Fase 1: A chegada

Sintomas psicológicos: Choque

Fase 2:  A boa integração.

Sintomas psicológicos: Embotamento das emoções, apatia, insensibilidade (mecanismos de autodefesa necessários).

Uma fase de relativa apatia, onde se atinge uma espécie de morte emocional.

 

Humor

“Descobrir que podia haver qualquer coisa parecida com arte num campo de concentração deve ser, por si só, bastante surpreendente para alguém de fora, mas a pessoa que não conheceu os campos ficará ainda mais espantada ao saber que também havia sentido de humor; é claro, apenas vestígios de humor e só durante escassos minutos ou segundos.”

O humor era outra das armas da alma na luta pela auto-preservação.

É sabido que o humor, mais do que qualquer outra coisa na caracterização humana, pode conceder-nos um distanciamento e uma capacidade para nos elevarmos acima das situações, ainda que só por alguns segundos.

De forma prática, treinei um amigo a desenvolver o sentido de humor. Sugeri-lhe que prometêssemos um ao outro inventarmos pelo menos uma anedota por dia.

A tentativa de desenvolver um sentido de humor e de ver as coisas a uma luz engraçada é uma espécie de truque aprendido durante o processo de aprendizagem da arte de viver.


Contudo, é possível praticar a arte de viver até mesmo num campo de concentração, embora o sofrimento esteja omnipresente.

Para fazer uma analogia: o sofrimento de um homem é semelhante ao comportamento do gás. Se uma determinada quantidade de gás for bombeada para dentro de uma câmara vazia, enche esse espaço por completo e de forma regular, por maior que a câmara seja.

Assim, também o sofrimento enche completamente a alma humana e a mente consciente, pouco importando se o sofrimento é pequeno ou grande.

Portanto, o «tamanho» do sofrimento humano é absolutamente relativo.

 

Tarefa de sobrevivência

Tudo aquilo que não estivesse relacionado com a tarefa imediata de nos mantermos vivos a nós mesmos e aos amigos próximos perdia o seu valor.

Tudo era sacrificado a esse fim.

O caráter de um homem via-se envolvido nisso até um ponto em que era apanhado num turbilhão mental que ameaçava todos os seus valores e os colocava em dúvida. 

Sob a influência de um mundo que já não reconhecia o valor da vida e da dignidade humanas, até à última grama dos seus recursos físicos, sob esta influência o ego pessoal sofria, por fim, uma perda de valores.

Se o homem no campo de concentração não lutasse contra isto num último esforço para salvar o amor-próprio, perdia o sentimento de ser um indivíduo, um ser com um espírito, com liberdade interior e valor pessoal. Pensava então em si mesmo somente como parte de uma enorme massa de pessoas; a sua existência descia até ao nível da vida animal.

 

Possibilidade de escolher o significado

Podemos responder a estas questões tanto a partir da experiência como com base em princípios. As experiências da vida nos campos mostram que os homens têm realmente a possibilidade de escolher.

Houve muitos exemplos, com frequência de natureza heróica, que demonstraram que a apatia podia ser vencida e a irritabilidade dominada. O Homem pode preservar um vestígio de liberdade e independência espirituais, até mesmo em condições tão terríveis de stress físico e psíquico.

Nós, que vivemos em campos de concentração, podemos recordar os homens que iam de caserna em caserna para confortar os outros, oferecendo-lhes o último pedaço de pão. Podem ter sido poucos, mas constituem prova suficiente de que tudo pode ser tirado a um homem, menos uma coisa: a última das liberdades humanas – a possibilidade de escolhermos a nossa atitude em quaisquer circunstâncias, de escolhermos a nossa maneira de fazer as coisas.

Embora condições como a falta de horas de sono, a insuficiência de comida e diversos tipos de stress possam levar a pensar que os presos estavam forçados a reagir de determinadas maneiras, em última análise torna-se evidente que o género de pessoa em que o preso se transformava era resultado de uma decisão interior e não exclusivamente das influências do campo.

 

Nietzsche “Aquele tem uma razão para viver, pode suportar quase tudo”.

Tínhamos de aprender e, mais do que isso, tínhamos de ensinar aos desesperados, que não importava verdadeiramente o que esperávamos da vida, mas antes o que a vida esperava de nós.

 

Fase 3: Após a libertação.

Despersonalização

“Chegamos a uns prados cheios de flores e compreendemos que estavam diante de nós, mas não sentimos nada”

“A nível psicológico, o que se estava a passar com os prisioneiros libertados podia chamar-se despersonalização.

“Tudo parecia irreal, improvável, como sendo um sonho. Não conseguíamos acreditar que era verdadeiro “.

Descompressão

Como retirar a tampa de uma panela de pressão, ou um mergulhador que volta a superfície rapidamente demais…

“Muitos, passaram de oprimidos a opressores. Justificam esse comportamento com as suas próprias terríveis experiências”.

Amargura e desilusão

  1. “Regressar à antiga cidade e ouvir de outras pessoas que desconheciam aquilo que se estava a passar, ou justificar que também sofreram com a guerra.
  2. “Desilusão no próprio destino. Muitos esforços foram feitos para dar coragem mental no campo, a descoberta de motivações e objectivos para o futuro, a realização que que havia uma vida a espera là fora”.

A desilusão de muitos que após a libertação, descobriram que ninguém estava à espera deles.

II) Logoterapia simplificada.

Logoterapia simplificada

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