Não sigas a tua paixão

Se queres ter um trabalho que te satisfaz, uma carreira que te traz autonomia e prazer, é preferível concentrares-te mais no desenvolvimento das tuas competências do que nas tuas paixões.

Neste artigo vamos basear-nos no livro “So good they can’t ignore you” de Call Newport, no qual vamos quebrar ou, pelo menos, dar-vos uma opção alternativa à atual e genérica ideia de “segue a tua paixão”.

 

Regras para um trabalho satisfatório:

Criatividade– Desafios e necessidade de se reinventar diariamente;

Impacto– A nível externo (aquilo que fazes resolve um problema, ajuda ou muda algo);

Controlo– A nível pessoal, a ideia é seres o único capitão a bordo da tua vida/trabalho, que ninguém te diga o que fazer e que sejas livre de tomar as tuas próprias decisões.

Ex: O autor dá o exemplo de um designer chamado Joe.

Este abandona uma empresa que trabalha o design de forma geral e decide especificar-se numa necessidade dos clientes, os logótipos. Este pôde mais tarde abrir a sua própria empresa nesse mercado.

Acham que Joe desenvolveu em miúdo uma paixão em criar logótipos?

Imaginem um indivíduo que passou x anos da sua vida a estudar por exemplo um desporto, ele não verá o jogo em si, mas sim toda as tácticas, estratégias, princípios por de trás desse mesmo jogo. Ele desenvolveu uma verdadeira paixão por aquele assunto. Ele teve de evoluir e confronta as problemáticas da modalidade.

O que nos leva à tese do livro :

A paixão no teu trabalho é a consequência do desenvolvimento de competências e não a causa.

Ou seja, se queres encontrar um trabalho que te preencha deves começar pelo desenvolvimento das tuas competências e não pela paixão.

Atenção!!! A lógica do autor não é numa questão moral mas sim numa questão estratégica. Este não afirma que não devas seguir a tua paixão por uma razão de sensatez, ele diz apenas “ se queres atingir este resultado, sê apaixonado pelo teu trabalho, é a melhor forma de o fazer. ”

O perigo da paixão

O famoso discurso de Steve Jobs em Stanford é um exemplo recorrente sobre o facto de termos que seguir as nossas paixões.

 Mas será que esse discurso não foi deformado em relação à mensagem de origem?

“The only the way do great to do work, it’s to love what you do”

Inspirador, não é? Mas o que interpretas?  Os meios de comunicação e divulgação dessa mensagem deformaram a intenção da mensagem.

O que foi resumido da mensagem foi : Steve gosta do seu trabalho, ele é apaixonado pelo que faz, sigam a vossa paixão para fazer como Steve Jobs.

O autor vai de encontro a isso, pois se Steve Jobs tivesse seguido a sua paixão ele teria dado aulas de meditação no seu Ashram.

Será que, com 8 anos, Steve tinha uma paixão por computadores? Certo que não, pois na altura eles não existiam ainda logo ele não podia na altura prever a criação do computador pessoal.

Então, quando ele diz-te, “a melhor forma de fazer um bom trabalho é gostar daquilo que fazes ”, ele não te diz para seguir o que amas, é o inverso, faz algo e torna-te tão bom que vais amar fazê-lo, e é aí que te vais tornar realmente ” expert ” nessa atividade.

Toda a gente tem as mesmas paixões

Pode parecer estranho, mas pergunta a qualquer pessoa aquilo que ela gosta de fazer e ela vai responder-te quase sempre :

Filmes, séries, jogos, desporto, ler, música, yoga. Há todo um punhado de hobbies que reúnem a maior parte da população.

Mas se analisares a maioria dos trabalhos que trazem valor ao mundo são coisas que não estão de todo relacionado com hobbies.

                Ex : Técnicos em cabos submarinos, electricistas, técnicos de Internet etc.

Conclusão

Se reflectires no teu caso, é provável que as actividades mais agradáveis para ti sejam aquelas nas quais te sentes competente, algum jogo, algum desporto, vender, comunicar, escrever, …

O gosto por uma atividade começa principalmente quando sentimos que estamos a ficar bons no seu desempenho.

Por isso é que todos os inícios custam.

Daí, tornam-se famosas muitas mensagens como “ hustle”, “try hard”, “never give up”.

Correr custa até que certo dia percebes que já aguentas 15 minutos sem ” cuspir um pulmão “, ler custa até conseguires ler mais rápido, perder custa até perceberes que começas a saber como ganhar.

http://marketingmania.fr/alexis-minchella/#more-1598

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