Aprender à resistir à tentação

Aprender à resistir à tentação

(4 minutos)

A experiência dos Marshmallow do psicólogo Walter Mischel na universidade de Stanford nos anos 70 é bastante conhecida, mas vou, no entanto, explicá-la de forma sucinta para termos a certeza que falamos da mesma coisa.

O estudo consistia em pôr crianças com cerca de 4 anos numa secretária com um Marshmallow à sua frente. De seguida o investigador dizia às crianças que podiam comê-lo já se o quisessem ou poderiam esperar 15 minutos e ganhariam 2 Marshmallow, terias que resistir à tentação. A sala não possuía quaisquer distrações possíveis, como livros ou brinquedos. Os resultados foram que um terço agarrou logo o doce, outro terço conseguia aguentar os intermináveis 15 minutos, e o outro acabou por sucumbir a meio do tempo.

Aquilo que não interessa

Os miúdos capazes de resistir 15 minutos à tentação da guloseima à sua frente demonstram uma maior capacidade de autocontrolo, domínio de si mesmo. Em outros estudos parecidos, passado algumas décadas as crianças que eram agora adultos foram localizadas. Aqueles que tinham sido capazes de resistir na infância demonstraram agora uma melhor saúde, eram financeiramente mais bem-sucedidas e eram cidadãos respeitados pela lei.

Tudo isto soa um pouco “fatalista” não diriam? A pessoa que és com 4 anos vai determinar o resto da tua conduta de vida.

Bem, tenho uma questão mais pertinente a colocar sobre a experiência do que o que ela simplesmente prevê para o futuro.

Mas primeiro vejam o vídeo.

O ponto interessante

Deixemos as profecias de lado, as crianças que sucedem demonstram estratégias de domínio cognitivo, parece complicado, mas nada disso. Tudo se aprende.

Sim meus caros, elas brincam, escondem-se, viram as costas, esmagam o Marshmallow, distraem-se da tentação da qual querem resistir.

A ciência por trás disto

No livro de Goleman é-nos explicado que existe uma tensão interna.

Vamos pegar numa frase de Freud para explicar essa tensão.

Onde estava o Id, está o Ego”.

Na arena da mente, a força de vontade e a estratégia vão determinar o vencedor.

Id Impulso Sistema Quente Amígdala
Ego Executivo da Mente Sistema Frio Pré-Frontal

 

Vamos por isto tudo num só exemplo.

Digamos que fizeste análises sanguíneas recentemente e notas que os teus níveis de açúcar estão um pouco elevados. Decides então começar a ter mais cuidado temporariamente a fim de não pores a tua saúde em risco.

Até que um dia, um bolo de chocolate Nutella selvagem se atravessa do nada no meio do teu caminho. FIGHT!

Ele é bom, é doce, é dopamina e água na boca de imediato…esta está a ganhar terreno. O impulso que te surge é devorá-lo, estás fervente, queres muito dar uma trinca nele. O id e o bolo estão a vencer.

Felizmente, temos o ego, o executivo da mente, aquele amigo que te surge e diz sorrateiramente “deixa de ser burro, olha lá o que fazes”.

A arena está ao rubro e chapa está quente. O teu cérebro está a 100 à hora, entre a amígdala (criador das emoções/impulsos) e o pré-frontal (parte racional, tomada de decisão) só um poderá triunfar.

Aprender à resistir à tentação

Ninguém gosta de perder, muito menos contra um bolo estúpido que tem a mania só porque tem Nutella. Tens que ser mais forte, aliás, mais esperto que ele.

Descredibiliza o teu adversário para vencer ou ignora-o e a luta acaba.

A atenção regula a emoção lembras-te?

Vimos no vídeo o exemplo perfeito de “descredibilizar” o teu adversário. Torná-lo noutra coisa. Certamente reparam no miúdo que começou a brincar com o Marshmallow como se fosse um carro. Ele transformou uma suculenta guloseima num brinquedo.

A solução estará sempre na vossa mente, às vezes, só é preciso um pouco de imaginação e saber tornar os obstáculos em brincadeiras.

Faz do bolo um super-herói, supervilão, associa a sua cor a outra coisa ou simplesmente ignora-o e foca-te em outra coisa, em poucos instantes já o terá esquecido e o teu impulso terá “arrefecido”.

É como quando magoas a tua irmã mais nova e não a deixas sequer começar a chorar, agarras logo nela e dizes “Olha ali um avião”; “O que é aquilo?”; “Olha sabias que ainda há bolachas de chocolate?”

Se sabes distrair a tua irmã do joelho negro dela, só tens que aplicar o mesmo a ti e não haverá bolo que te vença.

Espero que tenham gostado e não se esqueçam,

Tudo o que se passa na vossa vida, é Psico(lógico).

 

Fontes: “Focus” Daniel Goleman 2013

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